Da minha sua metade completa e particular.

Porque de todas aquelas suas fotos modernas do rosto só pela metade, mistura de mistério e doçura, a que mais gosto é a que vejo sempre que dorme aqui comigo.
Acorda tão bonita, deixando uma parte pro travesseiro e outra pra mim, e me olha em silêncio, em preguiça. Olha-me naquele estado de tranquilidade que tanto gosto, e que você gosta também.
E porque de todas as suas fotos modernas, de rosto só pela metade, a preferida sempre será a que vejo quando acordo e você brinca de fazer mistério.
E logo menos você abandona o travesseiro e vem pra cima de mim e aí eu não vejo mais nada. Aquele seu beijo de bom dia, aquele beijo que só é bom de olhos fechados.
E aí eu nem te vejo mais! O que era metade, fica completo, mas depois fica escuro.
Escuro porque fechamos os olhos, mas aí nós dois, preguiçosos e felizes, enxergamos nossas constelações particulares, nossas fotografias. Particulares.
E é por isso que, dentre suas fotografias modernas, de rosto só pela metade, é a que mais gosto. 
E eu te amo, metade, inteira e particular. 

Percorro. As folhas.

Não tem passado. Não tem desejo algum por ele.
Também não tem presente. E nem sempre é ruim.
Somente quando os dias vão passando…
E é como se folheasse, de forma bem rápida, páginas de um livro brincando de correr com a história. Meio como gostaria de fazer com a vida, a sua.
Mas não é bem uma pressa pelo futuro, talvez não haja nada.
Talvez isso seja o pior.

É que se não tem mais o passado e o presente se mostra tão ruim,
alguém se imagina correndo, correndo muito, estendendo os dois braços, o extremo dos dedos, como se corresse pra abraçar o futuro.
Como se lá, no futuro, houvesse algo macio, mas firme, que quando a gente chegasse, tão cansado dessa corrida, pudesse abraçar e ficar aquecido pra sempre.
Sei que se o futuro chegar, terei dias de vida a menos, mas eu trocaria esses dias de hoje, de nada, de preparação para não sei o que, por um futuro desses.

Esse presente não me prepara para o futuro. Tempo algum te prepara pra quase nada.
Aprendi no passado, no presente e então…aprendei no futuro.

Percorro folhas de um livro que não é meu.
Venha, por favor. Preciso desse abraço. 

Pra gente ser e ter a Lua que não viu noite passada

Faz assim:
Pega uma bexiga branca, a enche o máximo que puder e segura bem alto.
Tenho uma lanterna. Acendo, coloco atrás da bexiga e a gente faz a Lua.
Juntos. 

Porque você faz cócegas em mim.

Porque você faz cócegas em mim.